sábado, 9 de junho de 2012

O exílio


Existe “algo” no mundo que nos confirma, quase indubitavelmente, que ele existe. O curioso é que este mesmo “algo” que é capaz de ratificar tudo lá fora, não consegue nos provar a nossa existência, pois somos alienados de nosso próprio ser. E essa alienação é aquilo que chamamos de “vazio interior”. Se a comunicação é uma tentativa de transpor o abismo entre o eu e o outro, ela é também uma tentativa de buscar lá fora aquilo que nos falta aqui dentro: A percepção do existir.

O que torna a comunicação agradável é a sensação de ser compreendido, pois despertamos no outro uma reação e esta preenche um pouco o nosso “vazio interior”. No entanto, a medida em que aumentamos a nossa sensibilidade intelectual passamos a alçar voos mais altos e a comunicar-se por vias mais rarefeitas o que, consequentemente, nos afasta do outro e torna incrivelmente mais difícil o nosso ato de encher o vazio com nada.

Vivemos a vida como quem tateia no escuro: Só conhecemos o que existe através do toque, porém quanto mais sensível o nosso tato menos conseguimos tocar. O que consequentemente nos alienará do nosso meio e nos levará ao exílio no deserto de nossa solidão onde só o eu existe e é incapaz de saber disso sozinho.

Quem disse que o conhecimento conforta não sabe o que é andar na Terra.

4 comentários:

Cachorro Louco disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cachorro Louco disse...

Sinistro! Lindo Max.

Cachorro Louco disse...

Eu penso que talvez um tiro no pé ou alguma muita fome me faça ter a sensação de existir. Meu “vazio interior” deve ser intimamente ligado aos meus nervosos ou ao meu estômago. Sou um simplório.

Maxwell Cavalcanti disse...

Acho que se vc fosse um simplório, não precisaria escrever e postar na net pra achar outros páreas. Bastaria puxar conversa num local público e ja se sentiria acompanhado.