domingo, 11 de setembro de 2011

Visceras do sorriso

Ela está no inicio, é uma constante e só nos deixa no fim. Assim é o trajeto da dor pela vida. Ousamos em sonhar com a felicidade ainda que a realidade nos jogue na cara a todo instante que isso é ridiculamente impossível. Esse samsara que nos leva a tentar, e falhar, e sofrer e tentar de novo parece uma piada de mau gosto do universo.

O curioso é que nós já inventamos uma alternativa pra esse inferno, não que ela seja uma salvação, mas serve como um sombreiro numa chuva de pedras. Você já deve ter ouvido falar em alcoólicos anônimos não é? Pois bem, eles usam da alternativa mais inteligente de se suportar um fardo: compartilhá-lo.

Dividir o sofrimento não o faz passar, mas ao menos nos faz perceber que não somos alienados do resto do mundo, o que por sua vez aumenta consideravelmente a capacidade de aceitação da própria miséria. No entanto o que nós fazemos no chão do dia-a-dia é exatamente o inverso, basta dar uma olhada nas situações em que as pessoas optam pela exposição. Em fotos, por exemplo: a foto requer sorriso, pois foto com cara triste é foto com cara “feia”. As pessoas têm vergonha de ser aquilo o que realmente são. Miseráveis.

Talvez viver seria bem menos insuportável se não ostentássemos falsas alegrias, e ao invés disso esbanjássemos nossa penúria pelos sete mares fazendo todos os compatriotas perceberem que compartilhamos da mesma fossa, levando a conclusão de que vida é uma câmara de tortura onde a única variável é a intensidade do sofrer.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Insípido sentido

É comum ouvir os homens falarem em “vazio existêncial”. Os filósofos dizem que desde que o homem percebe-se como ser ele sente essa sensação de incompletude. Esse sentimento é base para grandes debates e até criação de correntes filosóficas e alguns psicólogos dizem que é a consequência da separação do nosso ser à nossa mãe. Essa incompletude também é a fonte para
diversas religiões, e até o mestre Schopenhauer já tentou explica-la.

Ao meu ver esse vazio, na verdade, nasce a partir do instante em que o ser humano se define como “Eu”, pois nesse momento ele separa a si mesmo do resto do universo iniciando, assim, a fonte principal de suas dores e provavelmente a causa de todos os seus complexos e manias. No instante da divisão acontece o primeiro dualismo: O Eu e os outros.

O instinto de sobrevivência leva qualquer ser á manutenção de sua existência, esse fator somado à inteligência humana gera curiosidade e busca por respostas. Sendo assim, a partir do momento que “Eu” me vejo como unidade além de tudo, surge uma necessidade de justificar o meu ser e essa é a fonte do vazio: A BUSCA PELO SENTIDO DE SER.

Se além de tudo “Eu” sou, então é necessário que haja algum sentido, pois tudo só é porque está além de “mim”, logo o que me falta é o sentido do meu ser. A busca por esse sentido é aquilo que leva os homens a amar, odiar, desejar e etc... e a frustração dessa busca é aquilo que os-leva a sofrer, pois a busca começa pela premissa básica de que “o sentido existe, basta encontra-lo.”

E se não existir nenhum porquê?