quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Onde os fortes não têm vez.

Eu sempre duvidei desse atributo chamado humildade, que apesar de ovacionado me parece um vício, pois é um doce perfume para inaptidão. Em sentido contrário, sempre vi a soberba como uma virtude, pois quando não afirma o bom, contrasta o mau.

Apesar de tudo não é difícil entender o motivo da inversão valorativa vigente, já que o raciocínio disposto acima está centrado no indivíduo e não na coletividade, pois para esta é interessante que o forte equipare-se aos outros, criando assim uma “sadia” ilusão de grandeza mútua e afastando a ira da miríade de fracassados.

Talvez esse seja o verdadeiro valor da humildade: Evitar que as cobras invejem as águias e tentem baixar os céus. (Em homenagem a Osman)

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O pretérito perfeito

Você já se perguntou por que o passado é o tempo favorito da plenitude, da felicidade e de tantas outras futilidades do imaginário humano?

É porquê ele é o tempo mais vulnerável a estelionatos. Pois o presente é advogado de si próprio, e o futuro é uma dívida de um agiota sagaz (use de moratória, e espere o pior). Porém no passado não... lá eu fui feliz, vivi, sorri e tudo o mais (já que não volta mesmo, dele eu posso dizer o que quiser).

Deve ser por isso que na gramática ele é o único tempo mais-que-perfeito.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Admirável mundo real

Se entenderes destino como todas aquelas coisas em que seu arbítrio não foi exercido, mas que interferem fortemente no que você é, então quem você é hoje é apenas aquilo que você poderia ser e não podia ser muito diferente.

Aí algum ursinho carinhoso de voz nasal vai gritar:
- O primo do cunhado do genro do meu vizinho nasceu com mal de Parkinson, mas é um ótimo pianista. E aí?!
- Isso justifica o seu delírio de ser aquilo que você não é?! Uma exceção.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Barely Dual

Se o melhor, por regra é exceção, então o pior é a propria regra. Por sua vez, a probabilidade de você, meu caro leitor, ser um medíocre é bem maior do que o inverso. O interessante desse panorama é que quase ninguém releva a possibilidade de ser um imbecil.

Daí surge a pergunta:
- Como descobrir a que grupo se pertence?
- Nem me pergunte pois eu não faço idéia.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

C'est la vie

Todo dia, toda hora, gente vive a fugir da “realidade”. Uns por químicos, outros por mentiras ou até mesmo por drogas como: novelas, religiões, auto-ajuda, I-Loser (ou seria I-Doser?) e isso sem falar nos estudantes de filosofia. (como eu)

O que ninguém pode negar é que se há tantas alternativas de fuga e tantas pessoas fugindo deve ser porquê a vida não é lá tão bonita quanto dizia Gonzaguinha, provavelmente ela se pareça um pouco com a Elza Soares.

Talvez, o fato de tantos se identificarem com a atitude “curtir a vida” se deve a uma situação comparável àquele ditado que diz: “Quando um político diz 3 vezes que não vai abdicar, pode apostar que ele vai.”

É... caro leitor(a), é a voz do desespero. Se ceticismo fosse bom eu não escrevia de graça.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Tributo a Sócrates

A maiêutica é uma ótima ferramenta para os mestres da moral, pois imprime no idiota a sensação de profundidade. É como tomar cicuta por um "bem maior"!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

ComuniQuê??

Todos os sistemas filosóficos, assim como todas as definições expostas por qualquer pessoa, estão imbuídos de um viés pessoal que inviabiliza a busca por uma verdade factual.

O que nós fazemos é ignorar as particularidades e seus "porquês" olhando apenas os pontos de convergência entre as definições alheias com as nossas, tomando essas "encruzilhadas" como verdades de fato.

Sendo assim é possível que todas as "verdades" sejam apenas convenções paupérrimas de razão e abundantes em justificativas para todos os gostos e paladares, enquanto o fenômeno "em si" é inefável, imperceptível ou até mesmo inexistente.

Na balada do cachorro louco.

Eu tenho a impressão que vivo orbitando pelas mesmas idéias. É como se constantemente eu retomasse como verdade uma velha incorreção, para mais tarde encara-la como tal. Uma vez me ocorreu de não descartar nada que eu ja houvesse desconsiderado, mas isso eu ja descartei por inviabilidade. (Em homenagem a Franci.)